Saúde da Mulher Grávida

Saúde da Mulher Grávida

terça-feira, 10 de março de 2015

Ahhh, que delícia, o 2º. trimestre!

Chegue e aconchegue-se!!! Harmonia, alegria, confiança, brilho e alto astral são algumas das sensações que a gestante extravasa no segundo trimestre.

“A barriga já aparece”, que legal! Todos podem ver que você está grávida. A sua luz contagia tudo e a todos!


Imagem cedida por Karina Antonelli. Gestando a Princesa Sophie!


A imagem acima é de uma grávida com 20 semanas de gestação. O abdome fica maior. O fundo do útero atinge a altura do umbigo. O futuro bebê pesa cerca de 350 gramas.

Você vai sentir alguns tremorezinhos na barriga e, quando menos se der conta, vai sentir que é o bebê mexendo! É uma emoção! Todas as gestantes – que eu tive o prazer de conversar sobre os “chutes” – amam a sensação de o bebê estar se movimentando e nadando, literalmente, dentro do útero, mais especificamente, da bolsa amniótica! O bebê sempre se movimentou, mas você só o sente a partir do segundo trimestre!

É possível saber o sexo do bebê através do Exame de Ultrassom! As imagens mostram se quem está vindo, é uma menininha ou um menininho! E, sabendo disso, as mamães – os papais também, claro! – pensam e começam a imaginar o nome do bebê, o quartinho, a decoração, o chá de bebê, o enxoval, a lista de itens essenciais para esperarem, com muito amor, a vinda de um ser humaninho!

Ainda, sobre o Ultrassom (US), nessa fase que são realizados os exames mais importantes. O primeiro US a ser realizado nesse trimestre – pode ser realizado no final do primeiro trimestre – é o Ultrassom com Translucência Nucal. O exame objetiva detectar possíveis problemas, bem como uma malformação genética, entre elas a Síndrome de Down e malformação cardíaca, a partir da medição do espaço da região da nuca do bebê, através das tabelas de referência para saber o limite máximo que essa medida pode alcançar, segundo o médico Ginecologista e Obstetra, Dr. Maurílio da Cruz Trigueiro, especialista em Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia, palestrante do Congresso Nacional para Mães e Gestantes – CONAMAGE. A partir de 20 semanas até 24 semanas de gestação, o segundo US a ser realizado é o Morfológico e tem a finalidade de avaliar os diversos órgãos e todas as estruturas fetais, comenta também em sua palestra o Dr. Maurílio.

Aproveitando toda a disposição que esse trimestre proporciona, e, claro a saudabilidade sua e a do bebê, podem-se iniciar atividades físicas e exercícios específicos para o período gestacional.

Os exercícios na água são muito recomendados e podem ser mantidos até o final da gestação. O ambiente aquático, além de ser muito parecido com o ambiente que o seu bebê está dentro do útero, é favorável a prevenção de inchaço – muito comum durante a gestação – facilitando e estimulando o retorno venoso. Outro benefício da imersão é a descarga do peso, proporcionando um alívio para as articulações que estão, de fato, sobrecarregadas pelo aumento do peso da gestante.


Princípios físicos da água. 
Pressão sobre um corpo flutuante com a cabeça fora da água 
e a descarga de peso em corpo imerso até o pescoço. 
Fonte: Revista Fisioterapia Brasil – volume 3 – nº 6 – nov/dez – 2002. p. 398.


A pressão hidrostática é a propriedade física mais influente da água para a paciente grávida imersa na piscina. Lembrando que a Lei de Pascal afirma que a pressão líquida é exercida igualmente em qualquer nível e pressão horizontais. Centralizando assim o fluxo sanguíneo e favorecendo mamãe e bebê. Os exercícios na água mais indicados são a hidroginástica e a hidroterapia.

A caminhada também é indicada e precisa ser realizada com alguns cuidados. Tênis e meia adequados, roupas confortáveis e que sejam exclusivas para o exercício, permitindo a transpiração livremente, visto que a gestante sente muito calor, devido à condição hormonal em que ela se encontra no período gravídico. Hoje é muito fácil achar roupas apropriadas e algumas têm proteção solar. Por falar em proteção solar, se você for caminhar ao ar livre, use e abuse do protetor solar – a proteção vale também para ambiente interno – existe o aumento dos níveis de hormônios estimuladores de melanócitos (células que produzem a melanina – pigmento da pele), estradiol e progesterona. Ahhh, que tal caminhar de chapéu? O local escolhido para a caminhada também é muito importante. Escolha um local seguro, que não a exponha a risco de queda, visto que o Hormônio Relaxina também está aumentado e as articulações estão vulneráveis. O importante da caminhada é que sejam impostos: intensidade, duração e frequência e, claro, o relaxamento ou descanso pós-caminhada.

O tratamento fisioterapêutico é indicado e os objetivos são: o alívio de dores e desconfortos, prevenção de disfunções, como as musculoesqueléticas e uroginecológicas, conscientização corporal, para que se desenvolvam o potencial dos músculos e que se tornem aptos para a exigência que a gravidez e o parto solicitam.

Dança, musculação, entre outros exercícios são indicados, desde que sejam orientados por profissional qualificado e que a grávida tenha segurança em realizá-lo e que o tenha praticado antes de engravidar. Lembrando que a gestação não é o momento para iniciar uma atividade desafiadora. A gestação por si só é uma grande e maravilhosa descoberta!

Exercícios em grupos específicos para gestantes é uma ótima escolha. A troca de informações, de experiências e de amor são enriquecedoras e trazem benefícios inúmeros para que essa fase tão mágica se torne ainda mais prazerosa e especial. 


E, ganha um colorido todo especial!!!



Imagem cedida por Karina Antonelli. Gestando a Princesa Sophie!




Atenção para os sinais de alerta e interrupção dos exercícios: sangramento vaginal, dispnéia (falta de ar) antes do esforço, cefaléia (dor de cabeça), dor no peito, fadiga muscular, contrações uterinas rítmicas antes de 38 semanas – considerado trabalho de parto Pré-termo – diminuição dos movimentos fetais, perda de líquido amniótico e sintomas de hipoglicemia, tais como náuseas e tonturas.



Hoje tem participação especial aqui no Blog!!!  Karina Antonelli. Ahhh, que Mulher doce, especial, amorosa, meiga e cheia de Vida! Bióloga por formação, atualmente é Sócia-proprietária do Bar e Restaurante Empório São Lourenço. Apaixonada e casada com Ronaldo Kamiya e Mãe da Princesa Sophie, hoje com 7 meses. Sophie nasceu de parto natural ao lado de seu papai e a experiência foi transformadora para todos! Uma família linda de ver e viver! Não esquecendo, claro, dos filhos de quatro patas, Cirilo e Ataufo! Karina nos presenteou com um depoimento sobre o que sentiu no segundo trimestre!



“Bem, agora já passou o turbilhão do trimestre anterior, enjoos, sono e mais sono e a insegurança sobre o parto.

Nesta nova fase tive a sensação de entrar em outro mundo... rssss...

Agora até meus cabelos ficaram mais bonitos e minha pele mais sedosa, meu ânimo melhorou tanto que voltei na musculação, já que foi o único remédio para melhorar a dor do meu ciático... Ufa...

Se o ânimo voltou vamos começar organizar as milhões de coisas que vem pela frente... Montagem do quarto, enxoval, chá de bebê, cadeirinha, carrinho e blá blá blá... Aproveitei para estudar e me informar muito sobre a gestação, o parto e o puerpério.

Olhando agora, meu ânimo voltou com tudo mesmo!!!

No segundo trimestre, minha barriga começou crescer e eu comecei me sentir mais grávida. Comecei até usar as filas para gestantes!!! rssss Minhas roupas começaram não entrar mais e as amigas mães começaram com os inúmeros conselhos. Até no ultrassom eu conseguia ver direitinho meu bebê, não precisava mais usar a imaginação quando o médico me mostrava isso ou aquilo... rssss

A maioria das mães neste trimestre aproveitam para viajar e comprar o enxoval, eu viajei também, mas escolhi ir para a praia... Até o xixi deu uma trégua nessa fase!!! rssss Eu e meu marido conseguimos percorrer pelo menos uns 100 km sem ter que parar... rssss

Escrevendo esse texto me deu até vontade de fazer outro bebê! " 




Imagem cedida por Karina Antonelli. Gestando a Princesa Sophie!



Minha eterna Gratidão pelo depoimento sincero, leal, divertido, leve e amoroso, pelas imagens maravilhosas que vocês puderam compartilhar aqui conosco e pelo amor e entrega de sempre! 
Amo vocês – amamos, né! – muitoooooo!!!

Muitos beijos em todos vocês cheios de amor e ocitocina!!!




Referências Bibliográficas:

1. Congresso Nacional para Mães e Gestante – CONAMAGE. http://www.conamage.com.br/palestrantescongresso Acessado em: 09 de março de 2015.

2. BARBATO MP, RODRIGUES T. Larousse da gravidez. São Paulo: Larousse do Brasil; 2003. p. 28.

3. CAROMANO FA, NOWOTNY JP. Artigo: Princípios físicos que fundamentam a hidroterapia. Revista Fisioterapia Brasil – volume 3 – nº 6 – nov/dez – 2002. p. 398.

4. RUOTI, R. G.; MORRIS, D. M.; COLE, A. J. Reabilitação aquática. São Paulo: Manole; 2000. p. 193-5.

5. Clínica Denise Steiner. Médica Dermatologista. http://www.denisesteiner.com.br/ginecologia/alteracoes_dermatologicas_gravidez.html Acessado em: 10 de março de 2015.

6. TEDESCO, JJA. A grávida: suas indagações e as dúvidas do obstetra. São Paulo: Atheneu; 1999. p. 70-1; 119.


quinta-feira, 5 de março de 2015

38a. semana? Mas a gravidez não durava nove meses?

O terceiro trimestre chegou! Bem-vindo, seu lindo! Paciência, espera e confiança fazem parte do final da gravidez. São muitas dúvidas, receios e incertezas. Em especial com o momento do parto. Os questionamentos mais comuns são: 
"Quando o parto vai acontecer?" 
"Que dia vou entrar em trabalho de parto?"
"As contrações vão começar na data provável do parto?"
"A minha data provável do parto é dia 10. Hoje é dia 8. Faltam dois dias!"

Não. Não é bem assim. O trabalho de parto vai começar no momento em que a mamãe e o bebê estiverem prontos, ou seja a data provável do parto é uma estimativa. O parto irá acontecer, no mínimo, dez horas depois, partindo do principio que a cada uma hora o colo do útero dilata um centímetro. São necessários dez centímetros para o bebê nascer.

O que vemos, infelizmente, mais comumente na cesárea eletiva, agendada, o parto acontecer na trigésima oitava semana.



Imagem do aplicativo "Mundo Ovo" e "Alô Mamãe". Disponível na loja App Store.



"Pois é, bebê! A gestação dura até 42 semanas."



Se o bebê nascer antes de 38 semanas, ele é considerado prematuro, ou seja, Pré-termo. O bebe nascendo entre 38 e 42 semanas, Termo. E, se ele nascer depois das 42 semanas, Pós-termo.

A data provável do parto (DPP) é calculada a partir da data da última menstruação (DUM). Quando esse cálculo acontece, são contabilizadas 40 semanas. Dessa forma, podemos concluir que a DPP é uma estimativa e o parto pode acontecer 2 semanas antes ou até 2 semanas depois da data prevista. Através do exame de ultrasson (US) também é possível obter o cálculo da DPP, e, também são contabilizadas 40 semanas.

A DPP por ser uma estimativa para a data em que o parto irá acontecer, os estudos indicam que 97% das DPP's falham, gerando muitas vezes medo e insegurança para a gestante. Dessa forma, é importante frisar que o bebê pode nascer antes ou depois. Apenas 3% das mulheres têm seus filhos na data que foi calculada através da DUM. Eu mesma atendi apenas uma paciente de quem o parto aconteceu na data calculada através da data da última menstruação!



Gostaria de indicar o endereço eletrônico de uma Blogueira linda e especial, a Ana. 
Em seu Blog tem uma calculadora para a DPP! Melhor do que isso, a calculadora da Aninha, ainda calcula o seu próximo ciclo menstrual e o seu próximo período fértil, para as mulheres que não querem engravidar, ainda não engravidaram ou estão planejando a gravidez! 
Vale a pena conferir!!!




Clique no link abaixo para acessar a Calculadora de Ovulação e Gravidez:


E eu, como cidadã e profissional, continuo querendo e me empenhando em mudar o mundo, através de partos dignos, respeitosos, amorosos e cheios de ocitocina!!!
Muitos beijos em todos vocês cheios de amor!!!



segunda-feira, 2 de março de 2015

O trabalho de parto começou. E agora?

Essa semana, lendo na Revista Crescer sobre o início do trabalho de parto, me deparei com algumas informações que eu não concordo, e, dessa forma, resolvi expor aqui as minhas ressalvas!

Sobre o texto, a ressalva que faço é com relação a bolsa amniótica. Se ela não romper durante o trabalho de parto, não é necessário que o médico o faça. O bebê pode nascer empelicado! A segunda filha da Gisele Bundchen, Vivian, nasceu empelicada, ou seja com a Bolsa Amniótica íntegra.

Outro assunto é com relação ao exame de toque para a verificação da dilatação! Enfermeiras Obstetras ou Obstetrizes experientes sabem, através do processo natural, quando é chegada a hora! Algumas gestantes pedem o exame de toque para ter uma idéia de quantos centímetros ela já dilatou, o que pode ser bom, pois logo logo é chegado o momento do período expulsivo ou ainda falta muito, podendo ser ruim e desestimulante para a gestante!

Em um certo momento, em especial durante o período expulsivo, a gestante sentirá naturalmente e inevitavelmente a vontade de fazer força. Essa força, apesar de mesmo não se querendo ela acontece, ela deve ser lenta e acalmada pelas respirações, atentando ao fato de que, quanto mais devagar e com menos força, o períneo se mantém íntegro. 



E, sigamos em frente e lutando por partos dignos, respeitosos, cheios de amor e ocitocina!!!


Leiam a matéria na íntegra:

domingo, 1 de março de 2015

Doulagem e Fisioterapia Peri-parto

Os serviços de Doula e de Fisioterapia no Peri-parto, consistem no acompanhamento da gestante em seu trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

Após consulta realizada entre a Doula/ Fisioterapeuta e a família, estabelecesse um plano de tratamento. A gestante começa a receber atenção e orientação voltada a fase gestacional em que se encontra. Atividade física, fortalecimento/alongamento/relaxamento do períneo, técnicas de respiração e relaxamento, melhor posição para dormir, treino de posturas e posições confortáveis para parir, bem como instruções de rotina hospitalar – se a gestante optar por um parto no hospital – e os primeiros cuidados com o bebê. O Plano de Parto evolui durante a gestação, através de um documento escrito pela própria gestante, que contem informações de como a mulher visualiza e gostaria que fossem respeitados em seu parto.
 
No momento do trabalho de parto (TP), a Doula/Fisioterapeuta acompanha a gestante ao local que ela escolheu para parir, seja um Parto Domiciliar (PD), Hospitalar (PH) ou em uma Casa de Parto.

A Doula/Fisioterapeuta cria uma estrutura especial para o TP com bolas, banco para o parto normal, rebozo para alívio das dores e relaxamento entre as contrações, sugere melhores posições para parir, ajuda nas posturas para alívio das dores durante as contrações, banho, banheira – nossa “acquadural” -, eletroterapia, massageadores de diversos formatos e materiais entre outras técnicas não-farmacológicas ou invasivas.





O atendimento Peri-parto consiste em devolver para a mulher o protagonismo. Durante o trabalho de parto, desenvolve-se o auto-conhecimento, passando por todos os estágios de forma digna, harmoniosa e respeitosa, visto que a autonomia é a chave principal para que o parto seja uma experiência prazerosa, primal e transformadora.



No Peri-parto ou durante o trabalho de parto e parto, os objetivos são:


  • Proporcionar suporte físico, apoio emocional e mental durante o trabalho de parto e parto.


  • Sugerir técnicas para o alívio das dores de forma não-farmacológica, assim como banhos, massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, entre outras.


  • Sugerir posturas para o trabalho de parto e parto.


  • Proporcionar maior satisfação com a experiência do parto.

  • Suprir a demanda e a importância por emoção e afeto, incluindo a família ou as pessoas, que a parideira escolheu para que estivessem com ela nesse momento tão mágico e especial que é o parto.



A imagem abaixo – a minha logomarca – é o resumo do meu trabalho.
Uma gestante que escolhe a posição para parir.

Ela pari, pegando o seu bebê no momento em que ele nasce e o trazendo para o seu peito para amamentá-lo e aquecê-lo.
A primeira hora de vida do bebê, a “Hora Dourada”, o momento em que eles se olham nos olhos um do outro e se apaixonam!

A imagem traz a sensação de uma mulher parindo confortavelmente.
Uma mulher que deixa o instinto e o primal fluírem.
O parto é dela. Ela é dona do seu próprio corpo:
"Meu corpo. Minhas regras. Meu parto."








Gratidão!!!




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dica de Leitura!!!

A MATERNIDADE 

e o encontro com a própria sombra



A psicoterapeuta Laura Gutman, especializada no tratamento de casais e crianças pequenas, convida as mães a um momento de reflexão sobre a responsabilidade de criar um bebê.


Trata-se de um manual que busca realizar uma análise da psique feminina e dos impactos que os filhos têm sobre ela, além de reformular muitos dos preconceitos sociais sobre maternidade, educação e comunicação entre adultos e crianças.


Boa leitura a todos vocês!!!


Imagem: Arquivo Pessoal.



Referências Bibliográficas


2. http://www.saraiva.com.br/a-maternidade-e-o-encontro-com-a-propria-sombra-3162645.html

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

15 de Agosto: Dia da Gestante!!!

Linda de ver e viver!!! Parabéns pelo seu dia, Gestante!!!
 


Grávida. Bella. Iluminada. Sagrada.



Muitas conquistas em busca da humanização no período gestacional e parto estão sendo comemoradas. Recentemente foi protocolado o Projeto de Lei que "GARANTE DOULA JUNTO ÀS GESTANTES."
Acompanhada por representantes de diversas entidades e ativistas que defendem o parto humanizado, a vereadora Juliana Cardoso protocolou nesta terça-feira, dia 12 de agosto, na Câmara Municipal, o Projeto de Lei 380/14, sobre a presença de doulas durante o trabalho de parto e pós-parto, nos estabelecimentos de saúde da rede pública municipal (UBS, Casa de Parto, Maternidade, Hospitais Municipais e contratos pelo SUS). A Lei Federal nº11.108/2005 assegura a cada gestante ter um somente um acompanhante. Pelo PL, a doula se soma ao acompanhante indicado pela paciente.
As doulas dão suporte emocional e conforto à mulher e o seu companheiro antes, durante e depois do parto. A OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde reconhecem e incentivam a presença da doula por compreender as inúmeras vantagens para o Sistema de Saúde, que além de oferecer um serviço de melhor qualidade, apresenta uma significativa queda nos custos, dada a diminuição das intervenções médicas. O apoio das doulas tem atenuado consideravelmente os casos de depressão pós-parto e aumentado os índices de amamentação. "Alguns hospitais da cidade têm vedado o ingresso de doulas, obrigando a gestante a escolher entre a presença de um familiar ou a da facilitadora", comentou a vereadora. "Essa exigência representa um descaso ao direito do protagonismo feminino no momento do parto e, portanto, da autonomia sobre o próprio corpo".
Doulando!!! Suporte físico durante o trabalho de parto.
Doulando!!! Suporte emocional durante o trabalho de parto.
Na semana passada, a presença de doula foi alvo de polêmica na Casa de Parto de Sapopemba, a única da rede municipal e administrada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina). Por decisão da entidade gestora da unidade, a gestante teria que optar entre um acompanhante ou a doula. Após repercussão, a decisão foi revogada pela Secretaria Municipal de Saúde e motivou o mandato da vereadora a apresentar o Projeto de Lei.
"Esse projeto é mais um passo importante na mudança da atual cultura hospitalar, pois encara o parto como momento especial e rotineiro na vida da mulher", declarou a vereadora Juliana Cardoso. "O PL foi construído junto com as entidades e o Movimento do parto humanizado. O importante é que as doulas também estarão presentes nas consultas e nos exames pré-natal".
       
Juliana Cardoso é a imagem da mulher brasileira: trabalhadora, esposa, mãe, descendente indígena, militante do movimento popular e educadora cultural.
Nascida e criada em Sapopemba, periferia da zona leste, iniciou sua militância no Movimento da Infância e Juventude, com ênfase na defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Reeleita em 2012 vereadora com 46.757 votos, o mandato é um instrumento da luta popular, parceiro dos movimentos sociais e que atua, principalmente nas áreas de saúde, moradia, educação, direitos humanos, criança e adolescente. 
Como presidente da Comissão de Saúde da Câmara por dois anos, a vereadora, investigou e apresentou inúmeras denúncias ao Tribunal de Contas do Município, Ministério Público e Conselho de Saúde, sobre as irregularidades na antiga gestão.
Nestes cinco anos e meio foram muitos os enfrentamentos em prol de mais moradias populares e contra a especulação imobiliária, além de desafios a polícia em vários despejos na cidade. 
Seu mandato trouxe a sensibilidade da mulher na política , a ousadia dos jovens e a vivência de quem enfrenta os mesmos problemas da população carente.
Na Câmara Municipal Juliana Cardoso é a voz da periferia e dos movimentos sociais. O fato de ser jovem, mulher, mãe e da periferia faz toda a diferença. A luta e o trabalho pelo crescimento econômico e social de São Paulo continua.





Referência Bibliográfica





1. Site: http://www.julianacardosopt.com.br/noticias/projeto-de-lei-garante--doula-junto-as-gestantes. Acessado em: 15.08.2014.





Proibida a reprodução das imagens. Obrigada pela compreensão.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A História da Obstetrícia

A palavra obstetrícia é derivada do latim obstetrix, sendo que obstare é estar ao lado da parturiente ou ainda ajudá-la a enfrentar o processo da gravidez e do parto. Este significado refere-se ao período em que as parteiras prestavam a assistência ao parto e hoje faz menção à ciência ou parte da medicina que estuda e presta assistência à mulher na gestação, parto e puerpério.

Para conhecermos a origem dessa especialidade, se faz necessária a compreensão da Medicina em si e algumas mudanças que ocorreram através dos séculos, influenciadas por crenças, estilo de vida e acontecimentos históricos.

No século XVIII, o corpo humano era visto como um "buraco negro" de onde fluíam "humores" de maneira estonteante. Durante esse século, muito pouco se sabia sobre o funcionamento do corpo humano. Os seus diversos processos, como digestão, fertilidade, evacuação e parto, eram vistos como mudanças semelhantes às observadas na natureza, como as estações do ano e as mudanças climáticas. As pacientes eram incentivadas a atiçar o "fogo vital" ou a chama da vida, por meios de vômitos, sangrias, suadores e evacuações regulares, que ajudariam a manter "o bom fluxo de energia".

Foi Hipócrates, o "pai da Medicina", quem instituiu que a doença é do corpo e não um castigo dos deuses.

Ainda que a doença fosse considerada como orgânica, a medicina greco-romana era naturalista e holística. Fazia referência à importância do equilíbrio, onde o corpo humano não deveria se tornar nem muito quente nem muito frio, ou ainda, nem úmido, nem seco.

A figura do médico, antes vista como uma espécie de mago e começava a se tornar uma figura científica. Entretanto, ainda era vista com desconfiança diante das patologias da saúde e mantida distante do momento do parto.

Entre 1346 e 1350, a Pesta Negra matou cerca de 25% da população da Europa e reduziu de 30 para 20 anos a expectativa da população. Nesse período, que se seguiu a peste negra, "gerar" passou a ser quase uma necessidade para a preservação da espécie. A maternidade era muito valorizada, estimulada, sem com isso significar que as mulheres a desejassem. O vínculo estabelecido entre mãe e filho era mínimo, por esse motivo, muitos dos bebês gerados eram entregues para as "amas-de-leite". As famílias mais ricas escolhiam as amas com muita cautela e elas permaneciam na residência da mãe, já as mais pobres, o bebê era enviado à casa da "ama-de-leite", que não conseguiam dar conta de todos os bebês que lhe eram entregues, por esse motivo, o índice de mortalidade infantil era bastante elevado. 

As mulheres eram vistas como apenas procriadoras, distantes de um envolvimento maior com o parto ou a maternidade. 

Uma grávida era orientada a repousar e evitar relação sexual, pois com elas "a natureza estava satisfeita".

Até meados da década de 1800, o indíce de mortalidade materna era altíssimo, não só pelas intercorrências obstétricas, como eclâmpsia e hemorragia, mas também pelas infecções de difícil controle. Diante dessa realidade, o parto domiciliar apresentava, então, as suas vantagens. Geralmente era realizado por uma ou mais mulheres, menopausadas, cercada por crenças, talismãs e poções milagrosas para auxiliar o processo.

Em 1806, data em que a obstetrícia passou a se tornar uma especialidade médica, uma série de inovações, como o fórceps e o espéculo foram criados, mudando o desfecho de muitos nascimentos. O fórceps era considerado um instrumento secreto, somente podia ser utilizado quando mais ninguém estivesse presente, somente a paciente e a parteira, esta deveria permanecer de olhos vendados.

Foi o obstetra francês François Mauriceau (1637-1709), profissional altamente conceituado entre a realeza da época, quem primeiro pôs em prática a idéia de colocar deitada a mulher em trabalho de parto. Fez isso, diga-se em seu favor, para conforto delas, que tinham quilos demais para se sentar confortavelmente nas cadeiras de parto. Querendo ajudar, cometeu aquele que seria considerado por muitos como o maior erro da história da Obstetrícia. 

Atualmente, curioso notar que algumas das cadeiras disponíveis para o parto lembram muito os modelos antigos, que faziam parte do enxoval do bebê. Nelas, a mulher era imobilizada e acorrentada na hora do parto.

A partir de 1900 começou a crescer a idéia de que parir deveria ser uma situação hospitalar.
O relato do primeiro serviço onde um programa de pré-natal foi implantado é da Austrália, em 1912. Nesse mesmo período a fisioterapeuta Minnie Randall desenvolveu programas cinesioterapêuticos voltados à mulher no pós-parto visando sua recuperação física. Posteriormente, Randall promoveu programas voltados a gestantes cujos objetivos eram o preparo para o parto.

Em 1940 a fisioterapeuta Helen Heardman e outros fisioterapeutas ingleses que atuavam na área criavam a Associação Obstétrica de Fisioterapeutas Licenciados.

Entre as décadas de 1940 e 1960, houve uma mudança radical no papel da mulher na sociedade. Os avanços científicos haviam levado a um distanciamento da mulher e de seus diferentes processos naturais como a gravidez e o parto, onde o cenário que se encontrava era o movimento Hippie e a invenção da pílula, onde a mulher pudesse reassumir seu papel ativo diante do próprio corpo.

Os programas de preparação para o parto do obstetra inglês Dick Read na década de 1950, visando a um "parto sem dor" e uma gravidez "mais ativa", traziam uma série de exercícios físicos terapêuticos, atraindo principalmente os fisioterapeutas para sua orientação. Ivan Petrovich Pavlov na Rússia, fundamentou a teoria de Pavlov. Essa teoria sugeria que as dores do parto sofriam influencia de condicionamentos transmitidos de mãe para filho. Dessa forma, Patonov, cria uma proposta de preparação para o parto, na qual relaxamento, exercícios físicos e respirações teriam papel fundamental - Método Psicoprofilático. Nesse mesmo período, Arnold Kegel, em 1948 na Califórnia, iniciou seus estudos sobre o papel da musculatura perineal.

Em 1960 iniciou-se a atuação de fisioterapeutas nessa área, em atividades educativas de preparo para o parto.

Nas décadas de 1970 e 1980 os estudos randomizados passaram a nortear o trabalho dos fisioterapeutas. A contribuição de Raul Artal no processo de consolidação da fisioterapia obstétrica deve ser sempre lembrada e registrada.

Em 1979 a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, em seu departamento de Ginecologia e Obstetrícia incentivou a organização de equipe multidisciplinar e o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher - CAISM foi criado e em 1986 os Serviços de Fisioterapia foram agregados.

Grandes nomes não podem deixar de serem citados por tudo que lutaram e promoveram no trabalho dos fisioterapeutas no Brasil são as Doutoras Mirca Christina da Silva Batista, Ângela Marx e Elza Baracho. Apesar da existência de livros traduzidos de fisioterapia em ginecologia e obstetrícia, somente em 1996 que foi publicado o primeiro livro nacional de autoria da fisioterapeuta mineira Elza Baracho. Muito se deve pelo entusiasmo e dinamismo dessas mulheres.

Enfim, hoje a Fisioterapia Aplicada à área da Saúde da Mulher, colhe os frutos das sementes plantadas no passado e alia tecnologia e conhecimento científico, sem perder a sensibilidade.

A partir de 2000 foram criados os primeiros cursos de especialização em Fisioterapia em Saúde da Mulher, substituindo-se as palavras ginecologia e obstetrícia, com o objetivo de deixar explícita a incorporação dos importantes preceitos filosóficos, destacando o conceito de integralidade, contidos no Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher - PAISM.

Em 2005 foi criada a Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher - ABRAFISM, que vem reunir os profissionais que hoje atuam na área no Brasil.

Em 2006 a ABRAFISM promoveu o I Congresso Brasileiro de Fisioterapia em Saúde da Mulher em conjunto com o I Intercobraf promovido pela Associação dos Fisioterapeutas do Brasil - AFB.

A ABRAFISM, EM 2007, deu um importante passo histórico, tornando-se a primeira associação da América Latina, membro da Organização Internacional de Fisioterapia em Saúde da Mulher - IOPTWH, durante o Congresso Mundial de Fisioterapia realizado em Vancouver no Canadá.

Em outubro de 2009 foi aprovada por unanimidade a Resolução nº 372 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - COFFITO, que reconhece a Saúde da Mulher como especialidade do fisioterapeuta.

A Organização da Saúde - OMS - recomenda como prioritárias as ações que busquem oferecer uma assistência de qualidade e com base em evidências científicas no pré-natal, parto e puerpério. Desse forma fica evidente a necessidade de programas governamentais de saúde voltados a mulher.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Marques, AA, et al. Tratado de fisioterapia em saúde da mulher. São Paulo: Ed. Roca, 2011.


2. Ferreira, CHJ. Fisioterapia na saúde da mulher: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.